
Há. (?) Muito tempo se passa desde que destinei-me entender quais e como se dão os complexos fios que ligam certos sentimentos e me ligam à certas pessoas. Compreender tal laço parece levar à um raciocínio vezes ilógico vezes louco. Vejo que depende muito da partitura na qual o tempo-espaço faz sua música. Depende também dos meus-seus-nossos afetos flutuantes. Ainda existe o acaso, a sorte e por fim, as razões. Vejo que situações peculiares quando recortadas do seu habitat, mostram-se mais brilhantes do que no real são. Que pessoas - quando rememoradas não-linearmente e sim como pontos-estrela - parecem mais açucaradas e quase sem defeitos. Observo que a doença e a morte fazem de nós seres mais cegos para certas necessidades sentimentais e mais obstinados com a manutenção da vida. Vida essa como sentido da biologia, do duo nascermorrer. E o tempo passa, os fios endurecem, enferrujam e até um instante, incomodam e doem. Acorda-se cinquenta anos depois sem sequer lembrar do sonho. Porque sonhar é permitido a todos, basta apenas lembrar de exprimí-los ainda em vida.
2 comentarios:
sonho é quem e "quem" é pronome oblíquo.
sorte-nos.
um encantamento emana de suas palavras. faz-me sorrir.
bjuss
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