
12. Aos doze, muito amiga das almofadas e cordinhas de biquines. Vaievéns intensos, até o ponto de serem vergonhosos. Rubor no rostinho de pré-moça, mas momentos findos e ternos. Sempre diferente, sempre sentia diferente, apesar do tecido adiposo em pequeno excesso que ainda não havia modelado suas futuras formas de verdadeira fêmea. Dianoite, dianoite, noitedia, noitedia. Salvador, primeiros medos, primeiras orgias. Mas só expectativa, só expectadora. Aguardando, esperando, latente, ardente. Todas as complexidades sem nenhum complexo carnal. Pura espera, puro acúmulo. [diz q que veio, devir... diz a que veio]. Boom. Explosão. 18. Dezoito. Dix huit. Eighteen. Veio o primeiro. Chegou doce, deflorando todo o amor, toda a expectativa. A confiança tornava-se a cada toque, um totem inamovível e gigante. Um gigante em mim. Infinitos, uniforme, aulas mortas, suor, respeito, amor. Suspiros e sussurros ao telefone. Fecho os olhos, revirados, tonta. - provavelmente, possivelmente, primeiro amplexo vivente de amor. Segundo. Ahhhh. O segundo. Escola dos segundos do universo em um só ponto, um só, só um. Todo, tooooooooodo - tremido, gemido e arrastado - todo, tooooooodo seu. Laço nas pernas, laça-me forte, prende-me ágil, diz a beleza, ri do meu medo, ri do meu sorriso. Xinga aos meus tímpanos, xinga suave a rude, xinga por me amar, sem jamais dizer que me adora. Maltrato-lhe porque merece. Para que implore, implore, arraste-se. E eu corro, então. Reacendeu a chama, aumentou a espera. Provou os labirintos, os porquês, as melhores paisagens. O dia raiando lá fora, não vê? Vejo o vizinho, vejo nosso fim. [nossa temporada das flores]. Terceiro reinado. Doce, terno, branco amor. Experimentações, experiências. Que gosto terá? Eu gosto de você, eu gosto do seu gosto, do seu gozo, do seu olho, do seu braço. Me abraça? Coisa lânguida espalhada no meu colo. Coisa, minha coisinha. Meu banho, nosso chuveiro, nossa chuva, nosso molhado. Converso com você, converso com ele. Todos os lugares, todos. [a casa é sua, pode morar] A casa é nossa. Chão de madeira, hard as wood. Dores viciantes. Posição de bailarina, de acrobata, de cortesã. Sua. De frente, de lado, de costas, de quatro, ao avesso. Mas não deu, não quis me dar. Deveras rejeitada. Deitada, inclusive. Aperto aperta tal peito e seio pulsante. Explodo. Explodo. Explodo. Vou-me. Vou-me. Voou. Quarto. No meu quarto. Sonho fosse. Quarto dobro de segundo. Dobrei meu coração, dobrei e escancarei as pernas. Os espelhos tudo viram, e eles não me permitem enganar. Estou gritando, não ouve, não vê? Quis chorar. Eu te amei, porra! Mas o xingamento não saiu de mim, só entrou-me ainda mais. Perfurou, finalmente, entranhou-se. Grosso e sem amor. A sua cara. Deslavada, porca, suja. [and i'll go back to black]
foto: nan goldin
7 comentarios:
lindo, agonizante, ilógico, confessional, violento e tenro. e a vida continua, vida de "pura espera" e de "dores viciantes" (amor?).
fazer o quê, né? viver tem que ser intenso. parafraseando certa pê: "ser intenso é difícil".
E eu falo de cadeira. U-a-u!
ana, atrás da porta, diz...
que bom que não estou morrendo de amores agora. que bom que ele não me trocou todas as vezes. que bom que já passou...
posso reler 30 mil vezes e chorar 40?
ainda..
que bom que não sou complexada. que bom que lido superbem comigo e com meu corpo. que bom que adoro viver.
lindo a texto.
na parte dos '12' me vi ali ;D
é muito bom quando encontramos textos que falam parecido conosco ^^
;*
maneiro seus escritos moça!
ritmo frenetico esse texto ne...hehe
bjos paula
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